sábado, 21 de agosto de 2010

O CRISTÃO E A PRATICA DO AMOR FRATERNAL

o tema acima possui duas palavras de grande impacto: A primeira é o vocábulo “cristão”, e a segunda “amor”. A primeira possui grande peso por significar uma pessoa seguidora de Cristo, e a segunda, por ser um sentimento indispensável na vida dos filhos de Deus. Na lição desta semana temos o estudo da prática do amor fraternal que é o amor entre os irmãos.

Para nosso comentário de hoje, vamos refletir em primeiro lugar sobre o que é ser cristão. Os discípulos de Cristo foram chamados de cristãos pela primeira vez na cidade de Antioquia, como assim descreveu Lucas: “E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” At. 11:26. Esse codinome nasceu na infância da Igreja e perdurou até agora, no entanto, vemo-lo perdendo espaço para o termo “evangélico”, que pouco significa para o contexto espiritual, já que qualquer pessoa pode se intitular evangélica, basta dizer que pertence a uma determinada denominação religiosa que fala da pessoa de Cristo Jesus. Porém, para intitularmos alguém de cristão precisamos saber se essa pessoa é alguém que professa o nome de Cristo como seu Mestre, Senhor, e único Salvador de sua vida; ou se ela carrega esse título apenas para obter algum benefício por parte do seu semelhante. Existem também aquelas seitas heréticas que se intitulam de cristãs, mas, ao mesmo tempo em que ensinam que Cristo é o seu modelo de vida, e a pessoa que se deve prestar adoração; apresentam outros deuses como mediadores e segundo eles, merecedores de adoração ou “veneração” como estrategicamente instruem a seus adeptos. Esses são cristãos a quem podemos denominá-los de “cristãos pagãos”.

O cristão do qual nosso tema se dedica é o verdadeiro seguidor de Cristo – aquele que Nele crê; dedica sua vida; e O tem como único Senhor e salvador; e o único mediador junto a Deus. É para esse cristão que a Bíblia está saturada de ensinamentos sobre o amor. O Apóstolo Paulo ao escrever aos cristãos de Roma disse: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” Rom. 12:10. Observe que ao usar o termo “cordialmente” ele está dizendo que devemos amar nossos irmãos de forma calorosa e sincera. – Nada de superficialismo ou que tenha alguma motivação egoísta, mas um sentimento que vem do âmago, e que nossas palavras de carinho e afeto sejam a clara expressão do nosso sentimento de amor fraternal.

ENTENDENDO O VERDADEIRO AMOR

A linguagem bíblica em sua maioria tem origem na língua grega. Por isso, para entendermos o amor em sua essência, precisamos interpretá-lo pelo menos sob os três principais aspectos mais importantes; assim saberemos se o sentimento de afeto que temos por alguém é teologicamente correto ou não.

Conforme o Dicionário Teológico Escrito pelo Pr, Claudionor Correia de Andrade (Ed. CPAD), são três as palavras usadas na língua grega para expressar o amor: “1) Ágape, amor divino; 2) Philis, amor entre amigos, sem nenhuma conotação sexual; e, 3) Eros, amor entre os cônjuges.”

O que nos interessa no momento é falarmos sobre o “Àgape” e o “Philís”. O primeiro, expressa o amor na sua essência, que é o amor que Deus tem demonstrado por suas criaturas no decorrer da história. E um amor que segundo o Apóstolo João, não temos condições de descrevê-lo; quando escreveu: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo. 3:16. Da expressão de “tal maneira” nos leva a entender o quanto Deus nos ama, mas que somente em palavras não conseguiria descrevê-lo. E para demonstrar a magnitude desse amor, entregou à morte o seu próprio Filho para nos resgatar.

Ao meditarmos sobre o que Deus fizera ao entregar seu Filho pela humanidade perdida e má, concluímos que por mais que os cristãos amem o seu semelhante, e por mais afinidade que ele tenha com Deus, jamais ele pode demonstrar o amor da forma que foi expressa por Deus. Pois o amor de Deus é incondicional e é demonstrado até mesmo em favor daqueles que são considerados seus inimigos. Quando Jesus foi preso, julgado, condenado e crucificado; lá na cruz disse: “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem...” Lc. 23:34

Do vocábulo “Philis”, derivou-se a palavra filantropia, que significa beneficência, caridade, etc., um tipo de amor que o cristão deve demonstrar no dia a dia com o seu semelhante. Um amor diferente do amor pregado e demonstrado por aqueles que não conhecem a Deus. O ímpio de modo geral ama de forma condicional, ou seja, ama quem o ama, quem o presenteia, quem o favorece em algo de interesse pessoal, etc. Jesus, no entanto, ensinou a seus discípulos a amarem as pessoas da mesma forma que Ele amou o mundo perdido, a ponto de amar aqueles que procuravam a sua própria morte. Segundo a versão apresentada pelo biógrafo Lucas Jesus ensinou aos seus discípulos acerca do amor com as seguintes palavras: “E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também. E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo. E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto. Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus” Lc. 6:31-35.

Com esse ensinamento Jesus deixou bastante claro acerca do verdadeiro amor fraternal, que não é originado de coisas exteriores e do próprio coração e natureza humana, mas do amor de Deus que passa a existir no coração daqueles que são seguidores de Cristo. Um amor que não depende de favores ou de ser amado primeiro para poder amar, mas, que ama primeiro de ser amado; pois assim foi o que Deus fez, nos amou antes mesmo que nós o conhecêssemos.

O cristão é o reflexo de Cristo, ou seja, ele precisa reproduzir na prática no dia a dia, aquilo que foi ensinado e vivido pelo próprio Cristo, caso contrário o mundo não o verá como um cristão verdadeiro. O próprio Jesus afirmou: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” Jo. 13:35. O amor que devemos ter pelo nosso semelhante, deve ser mais intenso quando se trata do relacionamento com nossos irmãos espirituais, que são aqueles que professam a mesma fé em Cristo Jesus. O mundo precisa ver a união entre os cristãos, para então reconhecê-los como verdadeiros servos de Deus e seguidores do Mestre Jesus. Mas, para minha e sua meditação deixo a seguinte pergunta: Temos demonstrado verdadeiro amor de Deus para com nossos irmãos? Ou será se temos colocado a nossa frente uma série de condições como barreiras que estão impedindo o fluir desse amor?! O apóstolo fala do verdadeiro amor de uma forma sábia quando escreve: “AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. - O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá...” I Co. 13:1-8.

Que Deus possa derramar do seu amor em nossos corações de tal forma que não venhamos encontrar barreiras para amarmos nosso semelhante, principalmente aqueles que professam conosco da mesma fé em Cristo Jesus.

P. A. B. J. TO. 21/08/10

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