quinta-feira, 6 de maio de 2010

A MISSÃO DA IGREJA


Quando ouvimos falar em missões, a primeira idéia que temos é que missão começou pela ocasião do envio dos primeiros discípulos (Mc. 16), mas no grego, língua original do Novo Testamento a palavra “Missão” é escrita desta forma: “αποστολή” = Enviar. Nesse caso, se levarmos em consideração o termo original, chega-se a conclusão que, quem primeiro fez missão foi o próprio Deus, ao enviar o seu filho Jesus este mundo para salvar a humanidade pecadora.
A Igreja de Cristo (gr. Ekklesia = um povo tirado para fora) foi chamada do mundo (Sistema comandado por satanás) para cumprir a missão mais importante que possa existir sobre a face da terra – que foi a de propagar a boa noticia acerca da salvação conquistada por Jesus na cruz do Calvário e oferecida a todos os homens.
Ao formar a Igreja, ocasião em que chamou os primeiros discípulos (μαθητές = alunos), disse-lhes: “Vinde a mim e eu vos farei pescadores de homens” Mat. 4:19. A partir daquele momento, eles deixaram suas redes e sua velha profissão, e acompanharam a Jesus, para com Ele, aprenderem as lições mais preciosas que os capacitariam na conquista de almas para o reino de Deus. Depois de cerca de três anos e meio de aprendizagem teórica e prática acerca da evangelização, os discípulos de Jesus receberam do Mestre a seguinte ordem: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” Mat. 28:18 e 19. No instante do seu retorno ao céu, Ele fez questão de reiterar o mandamento quando disse: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” Atos. 1:8.
Observe que tanto em Mateus 28, Marcos 16 e Atos 1:8, Ele usa os verbos “IR” e “SER” no imperativo, o que indica a expressão de uma ordem, e não de um pedido ou sugestão apenas. Nesse caso a Igreja deve encarar a questão da evangelização como um mandamento que deve ser cumprido, e que a omissão constitui-se em desobediência. Veja o que aconteceu com alguns dos primeiros discípulos de Jesus e a Pedro, principalmente, após a morte de Jesus - ele achou que a ordem de trocar o ofício de pescar peixe por almas era algo sem muita importância, por isso retornou a antiga profissão. Olhe o texto na versão escrita pelo Evangelista João: “Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam. E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o SENHOR. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes. Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes. Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos. E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: SENHOR, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas” Jo. 21:3-17.
Nesse diálogo com Jesus onde Pedro recebeu uma dura repreensão por ter abandonado o seu novo ofício pelo antigo, Jesus deixou claro a Pedro e aos demais apóstolos que missão é questão de amor. E isso o Apóstolo João deixou claro quando escreveu dizendo: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” Jo. 3:16 e 17. Então, quem ama as almas perdidas que caminham a passos largos em direção ao inferno, sabe muito bem da sua responsabilidade, e responde ao chamado de Cristo sem questionar sobre o que vai ter que enfrentar pela frente e sem esperar lucros ou recompensas terrenas. O Senhor Jesus ao vir fazer missão a este mundo, deixou o céu com toda a sua glória para tomar a forma humana, padecer horríveis sofrimentos e por fim entregar a sua vida em uma cruz para resgatar o mundo perdido das garras de satanás.
O QUE É FAZER MISSÃO?
Evangelizar o mundo não é tarefa fácil, por isso Jesus deixou claro para os seus discípulos: “... no mundo tereis aflições...” Jo. 16:33; e (Mateus 10:16) - Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos” Mat.1016a. Pois, evangelizar é invadir o território satânico com o objetivo de resgatar as almas que satanás as tem como suas e sobre as quais carrega o jugo da escravidão e opressão.
Além das dificuldades comuns que muitos enfrentam no campo missionário, como a escassez de alimentos, e outros tipos de materiais básicos para suas subsistências, muitos cristãos tem perdido suas vidas e outros continuam sofrendo duras perseguições. Portanto, a obra missionária não deve ser vista como uma profissão, ou meio de enriquecimento próprio, como a maioria faz por aí, pelo contrário, é uma missão para servir a Deus e as almas perdidas que necessitam de Jesus. Como disse Ele, a um Escriba que se ofereceu para acompanhá-lo: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” Mat. 8:20.
Fazer missão também não é um meio para buscar grandeza ou alguma forma de destaque na sociedade, pelo contrário, uma oportunidade para exercer a sua humildade. Acerca disso Jesus fez questão de dizer: “Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” Mc. 10:43-45. Olha, se Jesus sendo o Mestre, veio para servir, o que diria dos seus seguidores? Ou acham muitos, que o Evangelho de Cristo é uma oportunidade de emprego do qual se espera obter auferir grandes vantagens para seu próprio enriquecimento?
Saiba, porém, que fazer missão é se sacrificar expondo a sua própria vida ao perigo, e as adversidades que o ofício de antemão já prevê em busca das ovelhas perdidas.
QUEM DEVE FAZER MISSÃO?
Às vezes a impressão que muitos têm, é que a obra de evangelização é responsabilidade apenas do pastor de sua igreja, do evangelista, do missionário, e demais oficiais da congregação; mas quem pensa dessa forma está completamente enganado, pois quando Jesus chamou os primeiros discípulos e prometeu fazer deles pescadores de homens, indiretamente Ele estava chamando para essa missão, todos os cristãos de todos os tempos. Portanto, evangelizar o mundo é uma tarefa para obreiros e leigos, velhos e crianças, pobres e ricos, intelectuais e analfabetos, enfim, todos – sem exceção.
COMO A IGREJA PODE FAZER MISSÃO?
Levando em consideração o grande desenvolvimento na área da informação, diríamos que existem várias formas de propagação da boa notícia de salvação, contudo, podemos resumi-las em três: Orando, contribuindo e indo. Essas três maneiras de cumprir a missão de evangelizar descartam qualquer tipo de pretexto que alguém possa apresentar para justificar a sua omissão, tendo em vista ser impossível uma pessoa, física e mentalmente sadia, não poder realizar qualquer uma dessas coisas.
A eficácia da oração foi reconhecida pelo Apóstolo Tiago, que disse: “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tg. 5:16). Por isso os primeiros apóstolos depois de constatar as necessidades da obra missionária em face dos desafios que iam se apresentando, decidiram instituir diáconos para cuidar da parte material da Igreja, enquanto eles perseverariam em oração e se dedicando no ministério da palavra de Deus (Atos 6:4).
Interceder em oração em favor das almas perdidas além de ser um dever do cristão é também um privilégio, pois o acesso a Deus é livre apenas para seus servos. É também uma forma de demonstrar amor pelos perdidos.
O cristão por motivo de ociosidade pode querer se acomodar apenas com a prática da oração, sendo que se trata de alguém fisicamente capaz de realizar o evangelismo pessoal. Portanto a acomodação é um sinal de negligencia no trabalho.
A outra forma de realizar a obra de missões é contribuindo financeiramente. Às vezes você não pode ir, mas o seu dinheiro vai proporcionar condições materiais e até mesmo físicas e psicológicas para que outros sejam enviados, e aqueles que já fazem missões possam ter acesso a meios mais eficientes de alcançar as pessoas.
Por fim, para aqueles que receberam uma chamada especial a melhor maneira de se fazer missões é indo para o campo missionário. Para isso, no entanto, é necessário ter uma vida desprendida e voltada inteiramente para a causa do Mestre. Entretanto, para o cristão ir pregar ele não precisa esperar apenas por aqueles que receberam uma chamada específica, mas pode realizar o evangelismo pessoal, no lugar onde mora.
O MATERIAL BÉLICO DA IGREJA
Assim como um exército precisa de equipamentos bélicos para enfrentar o inimigo, a Igreja como uma agência do reino de Deus que precisa entrar no campo de batalha espiritual, em terreno inimigo, para poder resgatar os prisioneiros de satanás; também precisa de armas espirituais. E para isso Jesus a equipou com todas as armas necessárias que lhes possam garantir a vitória. Dentre elas, estão: Dons ministeriais, dons espirituais, serviços, autoridade e o ministério da reconciliação.
Acerca dos dons ministeriais disse o Apóstolo Paulo: “Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens... E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” Ef. 4:8, 11 e 12. Assim como Jesus teve o cuidado de instruir e suprir as necessidades dos seus discípulos enquanto esteve aqui na terra com eles, após o seu retorno ao céu instituiu cargos ministeriais que pudessem ser ocupados por homens de boa reputação e cheios do Espírito Santo, para que pudessem contribuir com a edificação da Igreja, tornando-a forte e vitoriosa diante das investidas do inimigo. Porém, somente homens que ostentassem seus títulos não eram suficientes para conseguir manter a Igreja no padrão exigido por Deus; portanto, além dos dons ministeriais, concedeu a Igreja (Não apenas os líderes) os dons espirituais que são: “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” I Co. 12:7-11. Os dons espirituais foram concedidos para que a Igreja pudesse ser realmente preparada para enfrentar qualquer situação ameaçadora a sua integridade como instituição divina. Edificando espiritualmente seus membros de tal forma que ela se tornasse invencível diante das árduas batalhas que enfrentaria. E isso é o que se pode comprovar por meio da história.
Desde a Roma Imperial até a Idade Média quando os papas reivindicavam para si, o poder espiritual e temporal, que a história eclesiástica vem sendo escrita com o sangue dos fiéis; e por último, em nossos dias, pelas grandes investidas de satanás que com astúcia vem infiltrando heresias no seio da igreja, e outras formas de perseguições. Como as discriminações, as tentativas de tolher nossos direitos como cidadãos e servos de Cristo.
Além dos dons espirituais que servem como instrumentos de edificação espiritual da Igreja e capacitação para o campo missionário, Jesus também distribuiu aos seus membros os dons de prestação de socorros aos mais necessitados: Como aqueles que estão debaixo das pontes e viadutos sem um agasalho que possa aquecê-lo na hora do frio, aos famintos que vivem mendigando o pão, aos presos da justiça que precisam de uma visita, aos doentes que estão nos hospitais esperando por uma palavra de esperança e conforto, aos fracos espirituais que precisam de alguém que o ajude a se erguer, etc. Deus instituiu também corpo ministerial como está escrito: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” I Co. 12:28. E tudo isso com a finalidade de edificar os santos, ou seja, para que a Igreja seja uma instituição bem organizada e imbatível diante dos desafios.
Com as dádivas do Espírito e as armas espirituais apresentadas por Paulo (Ef.6:11-15) o cristão tem a sua disposição todo o aparato bélico necessário para fazer um bom combate e no final poder cantar o hino da vitória.
POR ONDE A IGREJA DEVE INICIAR SUA MISSÃO?
A
ntes de ser assunto ao céu, Jesus recomendou aos seus servos: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” At. 1:8.
Observe que Jesus de quatro lugares de onde a evangelização deveria partir. Primeiro os discípulos teriam que evangelizar Jerusalém que era a cidade de suas residências, depois a Judéia que era o território do qual Jerusalém fazia parte, depois Samaria, cidade principal do Norte da Palestina, e por último os confins da terra que é a missão transcultural, ou seja, das outras nações.
O que Jesus quer nos ensinar com essa ordem? Que a evangelização deve começar de onde nós moramos para além das fronteiras de nosso país.
O que a evangelização de Jerusalém significa para nós hoje? Significa o nosso lar, o nosso bairro e a nossa cidade na qual moramos. Antes de alguém pensar em ser um missionário em outros países, ele precisa em primeiro lugar sentir amor pelas almas que vivem próximas dele. Quem sabe um irmão, um filho, um parente mais afastado, um amigo ou mesmo o seu vizinho. Porém, um detalhe muito importante precisa ser lembrado. O cristão pode se utilizar de vários meios para comunicar as boas novas do Evangelho de Cristo, mas nada se compara ao seu testemunho pessoal de vida. Sua maneira de se portar diante da sociedade que a cerca imprime na mente das pessoas uma mensagem que fala mais alto do que qualquer recurso que os meios de comunicação possam apresentar.
Depois de ser aprovado em Jerusalém o cristão está apto a fazer missões na Judéia (Todo o seu município ou Estado), Samaria (Outras partes do seu País) e por fim, até mesmo aos confins da terra (Outras nações).
Lembre-se! Missão é algo que está no coração de Deus e deve ocupar os corações de todos os seus servos.
P. A. B. J. TO. 07/05/10

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