quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

GIDEÃO, UM HOMEM TEMPERANTE

"Então os homens de Efraim lhes disseram: Que é isto que nos fizeste, que não nos chamaste, quando foste pelejar contra os midianitas? E contenderam com ele fortemente. Porém ele lhes disse: Que mais fiz eu agora do que vós? Não são porventura os rabiscos de Efraim melhores do que a vindima de Abiezer? Deus vos deu na vossa mão os príncipes dos midianitas, Orebe e Zeebe; que mais pude eu fazer do que vós? Então a sua ira se abrandou para com ele, quando falou esta palavra”(1).
Foram com essas palavras que Gideão sabiamente conseguiu acalmar os ânimos daqueles que procuraram com veemência fazê-lo perder a razão. Ele era um homem que havia recebido o Espírito Santo em sua vida, e por isso não deixou que seus sentimentos falassem mais alto que a voz do Espírito. Um homem natural cheio de orgulho teria respondido à altura de suas ásperas palavras. Teria quem sabe, feito respeitarem a sua posição por meio da força física, já que como Juíz possuía homens ao seu serviço.
A atitude desse homem de Deus tornou-se um modelo perfeito para os cristãos hodiernos, já que fazemos parte de uma geração de homens e mulheres que procuram satisfazer mais a voz da natureza pecaminosa a deixar ser guiado pela voz suave e meiga do Espírito Santo. No texto que serviu como introdução para este estudo, o que mais me chamou a atenção foi atitude sensata tomada por Gideão, a qual demonstra claramente um dos traços mais importantes da sua personalidade – a temperança. Uma virtude que faz a diferença quando o cristão verdadeiro se encontra diante de uma situação de conflitos.
Você sabe reconhecer uma pessoa sem domínio próprio? Talvez você sinta dificuldade até mesmo em saber se você se enquadra nesta qualidade; então responda as seguintes questões:
- Ao ser tratado com ignorância e desafetos você é daquelas pessoas que procuram responder a altura, e quem sabe exceder um pouquinho mais?
- Ao ver uma mulher atraente e quase despida, você é daqueles que não consegue desviar o olhar; fitando os olhos; uma, duas, três e quantas vezes forem possíveis?
- Quando passa por perto de um copo de bebida alcoólica não consegue passar sem tomar um pouquinho?
- Você é daqueles que não consegue deixar o cigarro e outros tipos de vícios?
- Ao se apaixonar por alguém, se possível for, contraria os princípios bíblicos para satisfazer os caprichos dessa pessoa?
- Você é uma pessoa tagarela que não consegue refrear sua língua, mas fala de tudo e de todos?
- Você come demais a ponto de adoecer?
- Ao sentir-se prejudicado de alguma forma, você é daqueles que procura aliviar suas tensões se maldizendo e xingando?
- Você não consegue desviar a maioria dos maus pensamentos que vêem à sua mente?
- Você neste carnaval ficou tão atraído pelos encantos da folia que acabou se infiltrando nela?
Se você respondeu positivamente pelo menos uma destas questões você é uma pessoa sem temperança. Ou seja, sem domínio próprio, pois não consegue dominar suas vontades, emoções e demais inclinações carnais.
A palavra “temperança” significa moderação diante de qualquer situação que exija controle. Quem possui temperança controla: Sua ira, suas paixões, seu apetite, seu desejo lascivo, suas ambições, seu tempo, seus olhos, seus sentimentos, sua espiritualidade, etc.
Os seres humanos foram criados para dominar todas as outras criaturas, como está escrito: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra”(2).
Pelo fato do homem no princípio ter em si, a imagem do seu Criador, possuía também, a capacidade de domínio sobre si mesmo. O problema de Eva e posteriormente seu marido terem desobedecido a Deus, fora apenas, a falta de vigilância. Pois, se estivessem atentos a ordem de Deus jamais O teriam desobedecido. A culpa por tais transgressões herdadas por nós nos legou também a incapacidade do autodomínio. Contudo, Jesus, pelo seu Santo Espírito implantou em nós a sua própria natureza; a qual é capaz de dominar, assim como Ele dominou; toda a natureza má que herdamos de Adão.

O CRISTÃO E A PRÁTICA DA TEMPERANÇA
O cristão é nova criatura, por isso deve estar subordinado à voz de Deus que fala ao seu coração e através das sagradas Escrituras. Como a mudança que houve da água, para o melhor vinho ali na festa de casamento em Caná, a vida cristã precisa estar em constante novidade. Acerca desse assunto recomendou Paulo: “E vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (3). E ao escrever aos cristãos de Corinto, disse: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”(4). Então, se somos novas criaturas em Cristo Jesus, temos como obrigação apresentar um novo estilo em nosso viver diário. Os maus costumes que aprendemos com nossos contemporâneos no tempo da ignorância não devem fazer parte de nossas ações, pelo contrário, agora temos a Bíblia como a nossa única regra de fé e prática. Assim, como temos a Constituição da República que é um conjunto de leis, das quais precisamos estar em consonância para que possamos nos tornar bons cidadãos; A Bíblia é o cânon sagrado que nos ensina os bons costumes aceito por Deus, os quais, se obedecidos fielmente, nos fazem verdadeiros cidadãos dos céus.
Para que essas leis sejam cumpridas precisamos manter o domínio próprio; e uma das coisas que mais precisamos dominar é a língua - e a mais difícil de ser domada. O Apóstolo Tiago sabiamente escreveu: “Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal”(5). Quando ele afirma aqui que nenhum homem pode domar a língua significa dizer, que por mais que o ser humano esteja atento, no sentido de evitar cometer erros ao falar; acaba se decepcionando, ao ver que é impossível não cometer alguma falta que possa ofender a Deus e ao próximo. Por isso, a atenção com relação a língua deve ser muito grande, e para isso, o quanto menos a pessoa falar, menor será a possibilidade de cometer tais erros. Pois, “Na multidão de palavras não falta pecado, mas o que modera os seus lábios é sábio” (6).
Dentre os cristãos existem aqueles que por se tornarem simpatizantes do cristianismo, fizeram como o Imperador Constantino, que aderiu ao cristianismo, mas não deixou que Cristo entrasse em seu coração para mudar o curso de sua vida. O resultado é uma vida cristã mista, uma parte para Cristo e outra para suas paixões. Tais pessoas se comprazem em se assentar nas calçadas e nas portas de suas casas, para junto com seus vizinhos falarem de Deus e mundo. Em suas conversas não fica ninguém que não receba um apelido ou um adjetivo que macule a sua imagem. As pessoas que assim procedem, são pessoas que não tem paz com Deus e nem consigo mesmas; falam do seu próximo porque não conseguem chegar aonde ele chegou. Difama-o, porque acha que denegrindo a sua imagem, ela possa elevar a sua própria a melhores condições. São essas pessoas falastronas que nunca prosperam na vida espiritual; sempre estão causando problemas para o ministério, e dando mau testemunho por onde passam. Para essas pessoas que possui esse mau costume, vejam o que dizem estas palavras: “Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno” (7). As pessoas que não refreiam a sua língua acabam revelando o que durante muito tempo conseguiram armazenar dentro do seu coração. Certa vez, Jesus disse aqueles que lhe opunham: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (8).
Portanto, prezado irmão e amigo, não deixe o seu corpo ser queimado no inferno por causa da desse pequeno membro que existe em sua boca. Fale apenas o necessário. Se você sentiu vontade de falar algo, primeiro faça uma análise se o que vai falar é do interesse de quem vai ouvir; se vai trazer alguma utilidade para o ouvinte e não vai trazer prejuízos para sua vida.
Dentre nossas faculdades, a mente é a que mais devemos ter cuidado em nosso dia a dia. Pois tudo que fazemos ou falamos primeiro teve que passar pelo processo mental. Pois ao receber as informações vindas do mundo exterior via alguns dos nossos cinco sentidos, a mente passa a iniciar o processo de concepção de alguma ação que deverá ser, ou não, praticada pelo nosso corpo. Portanto, temos na mente (intelecto) um campo de batalha onde temos que lutar com grandes inimigos. São inimigos que entraram por alguma das cinco portas: Olhos, ouvidos, olfato, tato e paladar. Ou, ainda pior, por algo abstrato, que é a voz do nosso maior inimigo que sussurra algo diretamente em nossa mente. Ele pode dizer para alguém: A sua vida não tem sentido - a melhor solução é se matar! Você é um derrotado! Pra você não tem mais jeito!
A Bíblia chama a mente de coração e nos recomenda a termos cuidado com ela: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias”(9). Podemos compará-la também ao processador de um micro computador, o qual se encarrega de processar todas as informações passadas pelos periféricos responsáveis pelas entradas das informações e retornam em forma de comando aos hardwares responsáveis pela saída. O profeta Isaias foi mais longe quando escreveu: “Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniqüidade. Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora”(10). É isso mesmo, o profeta comparou os maus pensamentos a ovos de serpentes que estão sendo chocados; que depois de eclodidos, é claro - sairá deles, pequenas cobrinhas que mais tarde causarão sérios danos a quem os chocou. Os maus pensamentos causam sérios problemas, pois além de se transformarem em um tipo de pecado, deixam o cristão impotente diante das tentações. É certo que é algo impossível não termos algum tipo de pensamento mau em algum momento, contudo, podemos evitar uma grande parte deles. Como? Se a nossa mente precisa de informações passadas pelos nossos cinco sentidos para que ela possa projetar algo; se procurarmos evitar a nossa aproximação das coisas ilícitas, obviamente ela não terá muita coisa para imaginar. Portanto, ocupemo-nos das coisas celestiais, e teremos mentes se ocupadas com as coisas do céu. O grande apóstolo escreveu: “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra”(11). Ao escrever aos Filipenses, completou: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (12).
Não temos dúvidas de que nossas atitudes dependem das coisas que estão armazenadas em nossa mente e em nosso subconsciente. Portanto, cuidemos bem dela exercitando-a com a meditação na palavra de Deus; na beleza de suas obras, na imensidão do seu amor e na sua grande misericórdia.

OS AMARGOS FRUTOS DA INTEMPERANÇA
Um dos frutos mais amargos da intemperança, que neste contexto podemos denominá-la de falta de sobriedade, é o vicio do alcoolismo. Ele mata as pessoas aos poucos, antes, porém, faz com que suas vítimas se tornem insociáveis; perdendo a família, os bens, os cuidados pessoais, perdendo a amizade com as pessoas de bem, perdendo a vergonha, a saúde e por fim, acaba ficando à margem da sociedade; passando a dividir o espaço e o alimento com os cães que moram nas ruas.
Um dos piores problemas desse e de outros entorpecentes é o poder que eles têm de escravizar o indivíduo. Suas capacidades de domínio são tais, que se não houver um tratamento especializado ou então a intervenção divina; conforme a gravidade do caso, esses indivíduos jamais conseguiriam obter a libertação; exceto em alguns casos em que o indivíduo possui um grande autodomínio. Há poucos dias, um jovem de minha cidade, que por muitos anos deixou ser dominado por esses vícios; chorando pediu-me: Edes, fala pra eu deixar de beber? - Eu, sem saber o que fazer de imediato, falei de sua necessidade em abandonar aquele vício. E compreendi de imediato que o que ele na verdade estava querendo é que eu intercedesse a Deus em prol da sua libertação. Portanto, antes que você chegue a uma condição de dependência química como essa deste jovem. Procure obedecer à palavra de Deus que nos aconselha a nos enchermos do Espírito, não procurar nos alegrar com o vinho.
A obstinação no erro é algo que na maioria dos casos tem como origem a falta de temperança. Digo isso porque muitos, mesmo sabendo do erro que está cometendo, não têm a mínima vontade de abandoná-lo. Pelo contrário, tem prazer em praticá-lo. Mas, o maior perigo é quando a pessoa por não possuir o autodomínio; reincide no mesmo erro por muito tempo, mesmo sabendo do mal que está praticando e às vezes até, rejeitando a voz do Espírito Santo que o adverte a não praticá-lo. Esse tipo de teimosia é um caminho que não irá muito longe, pelo contrário, levará o infrator a um caminho sem volta. João Bunyan, em seu livro “O Peregrino” procurou descrever o estado de alguém que se encontra nessa condição da seguinte forma (Diálogo do Intérprete com Cristão):
“- Não. Espere, disse Intérprete, até que eu lhe mostre um pouco mais, e depois você retornará ao seu caminho. Então levou-o pela mão a um cômodo muito escuro onde um homem se achava sentado dentro de uma jaula de ferro. Parecia um homem muito triste. Cabisbaixo, as mãos cruzadas no colo, ele suspirava como se tivesse o coração prestes a rebentar.
- Que significa isso? Perguntou Cristão.
- Pode perguntar a ele mesmo, respondeu Intérprete.
Cristão caminhou até a jaula de ferro e indagou:
- Quem é você?
- Antigamente eu parecia ser um cristão bom e bem sucedido. Pensava estar no caminho para a Cidade Celestial, e a idéia de chegar lá me causava prazer.
- Mas hoje o que você é?
- Hoje sou um homem em desespero, porque deixei de vigiar e ser sóbrio. Dei rédeas soltas às minhas concupiscências. Pequei contra a luz da Palavra e contra a santidade de Deus. Tentei o diabo, e ele veio ter comigo. Entristeci o Espírito Santo e Ele se afastou. Endureci o coração de tal modo que não me posso arrepender.
- Mas você não pode ainda arrepender-se e voltar?
- Deus me negou o arrependimento. Ai de mim, pois Ele me encerrou nesta jaula. Ó eternidade! Eternidade! Como suportarei o castigo eterno?
Então disse Intérprete a Cristão:
- Que a infelicidade deste homem lhe fique na lembrança e lhe sirva de aviso.
- Isto é horrível! Disse Cristão. Que Deus me ajude a ser sóbrio. Peço-lhe, senhor, que agora me deixe seguir viagem”.(13)
Vale a pena deixar que o Espírito Santo domine o nosso ser, pois assim evitaremos sermos dominados pelo mal.

Anotações bibliográficas:
1 - Juízes 8:1-3
2 - Gênesis 1:23
3 - Efésios 4:23 e 24
4 - II Coríntios 5:17
5 - Tiago 3:8
6 - Provérbios 10:19
7 - Tiago 3: 5 e 6
8 - Mateus 12:34
9 - Mateus 15:19
10 - Isaias 59:4 e 5
11 - Colossenses 3: 2
12 - Filipenses 4:8
13 - BUNYAN, João – O Peregrino, PP. 71-73 – São Paulo -13ª Edição -Ed. Mundo Cristão – 1.995.

Ponte A. B. Jesus-TO., 18/02/10

Uma Geração de Cristãos que não Dança nem Pranteia

Por: Edes Durante o tempo de sua peregrinação, Jesus observou com atenção como Ele e João Batista foram recebidos pelos seus contempor...